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Reitor da Universidade de Cambridge apoia tese sobre “corpo trans” de Jesus


Reitor da Universidade de Cambridge apoia tese sobre "corpo trans" de Jesus

Após uma discussão sobre o sermão de um estudante de pesquisa de Cambridge, que afirmou que Cristo tinha um “corpo trans”, o reitor do Trinity College, Michael Banner, disse que tal visão era “legítima”.

O discurso “verdadeiramente chocante”, conforme o The Telegraph, aconteceu durante a exposição de pinturas renascentistas e medievais, por Joshua Heath — pesquisador júnior, que usou quadros sobre a crucificação de Jesus para tentar sustentar sua tese. 

Uma das pinturas mostra a ferida lateral no peito de Cristo, feito por uma lança na ocasião da crucificação, e o pregador convidado comparou ao órgão genital feminino”. Os cristãos ficaram indignados e, na ocasião, um deles gritou “heresia”.

Sobre as pinturas

As pinturas usadas por Joshua incluíam a obra Pietà de Jean Malouel, de 1400, que mostra o sangue de Cristo fluindo do peito para a virilha. O outro quadro de 1990, mais atual, foi do artista francês Henri Maccheroni, intitulado “Cristos”. 

O doutorado em teologia, de Joshua, foi supervisionado pelo ex-arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, que também disse aos fiéis que no Livro de Oração de Bonne de Luxemburgo, do século 14, essa ferida lateral foi interpretada da mesma forma, como sendo o órgão genital feminino.

Ele também tentou reforçar sua tese se baseando no fato de que, na arte histórica, não há representações eróticas do órgão genital masculino de Cristo. “Isso exige uma resposta acolhedora, em vez de hostil, às vozes elevadas das pessoas trans”, ele interpretou.


Pintura religiosa “A Lamentação”, de Pietà de Jean Malouel, século 14. (Foto: Domínio Público/Wikipedia Commons) 

‘Desprezo a ideia de um Cristo trans’

“O corpo simultaneamente masculino e feminino de Cristo nessas obras, sugere o corpo de todos os corpos, então seu corpo também é o corpo trans”, resumiu Joshua em seu sermão.

Um membro da congregação, que preferiu permanecer anônimo, disse ao reitor, Banner, em uma carta de reclamação: “Deixei o culto em lágrimas. Você se ofereceu para falar comigo depois, mas eu estava muito angustiado. Desprezo a ideia de que abrindo um buraco em um homem, através do qual ele pode ser penetrado, ele pode se tornar uma mulher”. 

“Desprezo especialmente essas imagens quando são aplicadas a nosso Senhor, do púlpito, em Evensong. Desprezo a ideia de que devamos ser convidados a contemplar o martírio de um ‘Cristo trans’, uma nova heresia para a nossa época”, ele continuou. 

O fiel disse que a audiência e o coro no tradicional serviço anglicano, com crianças presentes, ficaram “visivelmente desconfortáveis” com o sermão “verdadeiramente chocante”. Ele ainda disse que se sentiu indesejável na Igreja e que sua esposa se sentiu violada.

Resposta do reitor

A resposta de Banner à reclamação foi de apoio a Joshua. Ele reforçou a ideia de que o sermão “sugeriu que poderíamos pensar sobre essas imagens do corpo masculino/feminino de Cristo, fornecendo maneiras de pensar sobre as questões transgêneros de hoje”. 

“Para mim, acho que a especulação foi legítima, ainda que eu, você ou qualquer outra pessoa discorde da interpretação. Diga algo mais sobre essa tradição artística ou resista à sua aplicação a questões contemporâneas em torno do transexualismo”, acrescentou. 

O reitor ainda defendeu o orador, dizendo que jamais convidaria alguém que chocasse, ofendesse a congregação ou falasse contra a fé cristã. 

“O sermão explorou a natureza da arte religiosa, no espírito de investigação acadêmica instigante e mantendo o debate aberto e o diálogo na Universidade de Cambridge”, tentou ajudar um porta-voz do Trinity College. 

Investigação acadêmica instigante?

Já o Trinity College, em sua defesa, disse através do porta-voz que “gostaria de deixar claro o seguinte: Nem o reitor do Trinity College nem o pesquisador que deu o sermão sugeriram que Jesus era transgênero”. 

Depois de defender que o sermão apenas abordou a imagem de Cristo representada nas artes religiosas e que havia várias formas de interpretá-las, ele ainda ressaltou que “a investigação acadêmica era instigante”.

Em resumo, o sermão de Joshua foi classificado como estando de acordo com o debate aberto e o diálogo dentro da Universidade de Cambridge, mesmo sugerindo que os quadros apontam para o transgenerismo.

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